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Utilização de balão intragástrico e perda de peso

Estudo publicado em 2017 no BRASPEN Journal realizado em um grande centro de Obesidade no Rio Grande do Sul mostra o impacto do balão intragástrico na perda de peso.


INTRODUÇÃO A obesidade é uma doença crônica considerada fator de risco para uma gama de outras afecções, como a diabetes mellitus, as doenças cardiovasculares e até para alguns tipos de cânceres. A obesidade eleva consideravelmente a morbidade e a mortalidade substancial, prejudicando a qualidade de vida. A mais recente projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que mais de 1,9 bilhão de adultos apresentam excesso de peso e que pelo menos 600 milhões de pessoas estavam obesas em 2014. Em 2015, os números projetados foram de cerca 2,3 bilhões e 700 milhões, respectivamente. A prevalência crescente da obesidade observada nas últimas décadas ocasiona grandes problemas de saúde pública. A dimensão do problema é confirmada pelo fato de que a obesidade mórbida (índice de massa corporal IMC >40 kg/m2) encurta a vida, em média, por 20 anos, tornando as consequências da obesidade mais graves do que fumar ou consumir álcool4.

De acordo com as diretrizes atuais, as opções de tratamento incluem a modificação comportamental (como exercício físico, mudança da dieta, restrição calórica e intervenções psicossociais), a farmacoterapia e cirurgia bariátrica. O tratamento de pacientes obesos é uma tarefa exigente e de longo prazo, em que não há atalhos ou soluções rápidas. Dados da literatura demonstram claramente que nenhuma dieta para perda de peso ou terapia farmacológica continua a ser eficaz a longo prazo. Em pacientes com obesidade mórbida (IMC>40 kg/m2), o tratamento conservador parece ineficaz.

A cirurgia bariátrica permite promover perda de peso mais efetiva em pacientes com obesidade grau III ou grau II associada a comorbidades e que não obtiveram êxito em tratamentos tradicionais de perda de peso.

Como um procedimento minimamente invasivo capaz de induzir a perda de peso, proporcionando uma saciedade precoce e prolongada por meio da redução da capacidade gástrica, o balão intragástrico (BIG) é uma alternativa de tratamento não-cirúrgico para a obesidade.

O presente estudo identificou e avaliou uma gama de evidências sobre a eficácia e segurança do BIG nos pacientes de um centro de referência


RESULTADOS No presente estudo, foram avaliados 50 pacientes com estado nutricional entre sobrepeso e obesidade grau III, conforme classificação da OMS/2000. Em relação ao gênero dos participantes, obteve-se a proporção de 41 pacientes do sexo feminino (82%) e nove de sexo masculino (18%). Sobre a porcentagem de perda de peso, observou-se que 46% dos pacientes tiveram perda entre 10-15 kg, 24% uma perda menor que 10 kg, 22% perda entre 15-20 kg e 8% perda maior de 20 kg.

Em relação às comorbidades, as mais observadas foram o diabetes mellitus em 10%, a hipertensão arterial sistêmica em 8% e o hipotireoidismo em 4% dos pacientes da amostra.


DISCUSSÃO A obesidade é descrita pela OMS como a epidemia global do século XXI e, para tanto, faz-se necessário, no seu tratamento, uma abordagem multidisciplinar – médica, nutricional e psicológica – individualizada para cada paciente.

O BIG constitui um método endoscópico de tratamento da obesidade, indicado para a obtenção de redução ponderal nos pacientes com obesidade. Os resultados são variáveis em termos de perda de peso e percentagens, o que se explica pela diversidade de amostras e diferentes desenhos dos estudos – a maioria deles é retrospectiva, mas tanto nestes como nos estudos prospectivos a eficácia e a segurança do BIG foram demonstradas. Observou-se, nesta pesquisa, prevalência do sexo feminino (82%) sobre o masculino (18%). Estes dados epidemiológicos estão de acordo com a literatura, que relata que as mulheres apresentam incidência maior de sobrepeso e obesidade que os homens, o que em parte pode ser explicado pela maior porcentagem de gordura nas mulheres, ao redor de 25% a 30% maior que dos homens.

O BIG produz uma sensação de saciedade precoce, diminuindo a capacidade gástrica e, com isso, o consumo de alimentos, proporcionando a redução do peso.

A pesquisa demonstrou que, no que se referiu ao peso perdido durante o uso do BIG, que a maioria dos pacientes teve perda entre 10-15 kg. De acordo com a literatura, a perda média estimada de peso dos pacientes com BIG varia entre 14 e 19 kg, sendo que uma redução de 5-10% do peso já pode ser suficiente para a diminuição favorável da gordura no fígado, da circunferência da cintura, pressão arterial, níveis de glicose, triglicerídeos e colesterol. Isso se aplica a indivíduos com um IMC de até 40 e foi confirmada por muitos estudos. Em níveis de IMC superior a 40, uma perda de peso de 20-25% é recomendada, embora sem muita evidência.

A literatura mostra que a combinação de atividade física com restrição calórica traz resultados melhores do que atividade ou dieta isolada. Além disso, o exercício é um preditor de manutenção de peso.

Portanto, como alternativa de abordagem não-cirúrgica para o tratamento da obesidade naqueles indivíduos que se recusam ou não são adequados para cirurgias bariátricas, o BIG a curto prazo é eficaz.

CONCLUSÕES O atual estudo resume uma vasta gama de evidências sobre a eficácia e segurança do balão intragástrico em associação com a terapia nutricional conservadora na perda de peso em pacientes obesos.



 
 
 

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